Bancários e bancárias do Rio Grande do Sul discutem desafios da campanha nacional

Os desafios da Campanha Nacional dos Bancários deste ano foi o tema da 24ª Conferência Estadual promovida pela Fetrafi-RS no sábado (14), pelo aplicativo Zoom. Os delegados e delegadas da base sindical do Rio Grande do Sul discutiram formas de lidar com esses desafios e aprovaram resoluções que serão levadas à Conferência Nacional, que ocorre entre 10 e 12 de junho. Participaram como convidados a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, o ex-ministro Miguel Rossetto e o técnico do Dieese Gustavo Cavarsan.

O diretor de Comunicação da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, que é membro do Comando Nacional dos Bancários, abriu a Conferência e lembrou que os acordos coletivos de trabalho dos bancários vencem em 31 de agosto. Para Bacelo, é preciso “chamar a categoria para participar dessa campanha não só pela manutenção dos seus direitos, mas pelo futuro de todos os trabalhadores do país”, já que, segundo o diretor, os bancários vêm resistindo a uma série de ataques aos direitos trabalhistas, que geram consequências a todo o conjunto de trabalhadores.

“Passamos quatro anos resistindo a um conjunto de ataques, principalmente do governo federal, e não foram poucas as propostas no Congresso Nacional de acabar com nossos direitos, como o trabalho de segunda a sexta, só para citar um exemplo”, afirmou Bacelo.

O diretor destacou a atual conjuntura econômica do Brasil, com o poder aquisitivo “sendo corroído” e mais de 10 milhões de desempregados. “Por outro lado, temos os bancos navegando nessa conjuntura e com resultados muito expressivos. Porém, a inflação disparou e afetou o conjunto das famílias. E a gente sabe que quando tem inflação alta, os bancos vêm com aquelas propostas de não repor as perdas, de dar apenas um abono. Não podemos aceitar, temos que lutar pelo aumento salarial real”, pontuou.

Mobilização nacional
A presidente da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, falou sobre a importância de eleger um presidente e um Congresso Nacional que tenha compromisso com a pauta dos trabalhadores e das trabalhadoras. Ela ressaltou que a crise econômica se agravou a tal ponto que o crédito vem sendo utilizado como salário, como parte da renda por muitas famílias brasileiras. Para Juvandia, é preciso mudar essa lógica. “Temos que usar os bancos públicos como ferramentas para gerar renda”, pontuou.

Juvandia reforçou que o debate político extrapola a pauta da categoria. “Hoje só o Brasil e a Turquia têm inflação, taxa Selic e de desemprego acima de dois dígitos. Isso é consequência da má gestão política e social do país. Temos que fazer esse debate com a população, nos mobilizarmos para tirar esse governo.” A presidente da Contraf-CUT apontou a importância de combater também as “fake news” e citou as Brigadas Digitais da CUT como um instrumento dessa luta.

Oportunidade de mudança
O ex-ministro Miguel Rossetto também passou seu recado aos bancários e bancárias que participaram da Conferência Estadual. Para ele, este ano existe uma “oportunidade extraordinária de mudança”, com as eleições de outubro. Rossetto afirmou que a categoria bancária “tem peso para colocar na agenda política a importância da valorização do trabalho e de recusar qualquer tipo de retrocesso nos acordos coletivos”.

De acordo com o ex-ministro dos governos Dilma e Lula, é preciso entrar no período eleitoral com energia e vigor para “derrotar esse projeto fascista, violento, ultraliberal e retomarmos um projeto de desenvolvimento do país. Sofremos muito e perdemos muito, mas essa é oportunidade de fazer uma grande mudança no país e no estado”.

Ao final da sua participação, Rossetto parabenizou a Fetrafi-RS e os sindicatos dos bancários por liderarem a luta contra as privatizações no estado. “Os bancos públicos são instrumentos de financiamento de um novo ciclo de desenvolvimento que vai fazer parte do debate político. O Rio Grande do Sul não pode ficar fora dessa agenda nacional de desenvolvimento”, finalizou.

Terceirizações e precarização do trabalho
Um dos temas que deve aparecer com força na campanha nacional dos bancários deste ano é a terceirização do trabalho. Para falar sobre o assunto, a Fetrafi-RS convidou o técnico do Dieese Gustavo Cavarsan. Segundo ele, os bancos têm operado de maneiras muito diferentes e os resultados de todos eles crescem de 20 a 30% todos os anos, apoiados em uma força de trabalho que não é da categoria bancária. “Os sindicatos precisam estar atentos a essa mudança”, frisou.

Entre outros dados, a pesquisa do Dieese mostrou que 50% das demissões dos bancos no último ano foram a pedido. Os motivos, acredita Cavarsan, têm a ver com a “uberização”. “Por um lado, as condições de trabalho no banco são muito ruins, por outro a propaganda das plataformas (que oferecem serviços financeiros) é muito atrativa, o discurso do empreendedorismo é muito forte”, explicou. Assim, muitos bancários e bancárias estão migrando do trabalho formal CLT para o trabalho como autônomos em fintecs e outras empresas do ramo e se submetem a um trabalho precarizado e desprotegido constitucionalmente.

Resoluções
A plenária aprovou em consenso as cinco resoluções apresentadas na etapa Estadual e que serão levadas à Conferência Nacional dos(as) Bancários(as), que acontece entre 10 e 12 de junho, em São Paulo, no formato híbrido (parcialmente online). A resoluções tratam de forma geral sobre a campanha, a proposta de índice de reajuste salarial, segurança bancária, saúde e medidas de proteção contra a COVID-19.

Foram incluídas com a contribuição dos delegados e delegadas, adendos que barrem a possibilidade de abono no lugar de reajuste salarial, a solicitação de concurso público imediato para cobrir a falta de funcionários nos bancos públicos, e a segurança digital dos trabalhadores e trabalhadoras em teletrabalho. A participação do Rio Grande do Sul na Conferência Nacional se dará pela presença de 33 delegados(as) no local e outros 33 de forma virtual.

Fonte: Fetrafi/RS

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