Banrisulenses apontam o programa de metas do banco como fator de adoecimento

Em reunião realizada na tarde desta segunda-feira (16), na sede da Fetrafi-RS, representantes dos trabalhadores expuseram vários problemas relacionados ao programa de metas, que vêm acontecendo nas agências do Banrisul de todo o estado e país. Foram elencados os três pontos mais preocupantes: vincular o atingimento da meta à adimplência do cliente; não cumprir o prazo semestral para cumprimento da meta; e retirar pontos do funcionário quando este não atinge a meta em um determinado produto, ainda que tenha atingido em outro.

O programa de metas do Banrisul foi definido pelos dirigentes sindicais como desorganizado e caótico, na medida em que estabelece uma meta x, com um tempo x para ser cumprida e antes do término do prazo a meta é alterada, comprometendo todo o planejamento que já havia sido feito. “É impossível trabalhar com uma meta volátil, que não permite uma mínima organização de trabalho. Isso está adoecendo muita gente. Nos últimos dois anos, aumentou significativamente o número de bancários e bancárias do Banrisul que procuram o setor de Saúde do Sindicato, a maioria com problemas psíquicos. No espaço de uma semana, tivemos dois casos de pessoas que relataram vontade de morrer”, contou Luciano Fetzner, presidente do SindBancários Porto Alegre e Região.

Outro absurdo é o fato do funcionário perder pontuação quando o cliente deixa de pagar um empréstimo ou cancela um seguro de vida, por exemplo. “Quem concede o empréstimo não é o bancário, é o banco. E o risco já está calculado na taxa de juros. Não podemos ser penalizados por fatores externos, sobre os quais não podemos interferir”, argumentou Fetzner. Na mesma linha, a diretora de Saúde da Fetrafi-RS, Raquel Gil de Oliveira, lembrou que a Justiça Trabalhista já deu ganho de causa ao trabalhador em mais de um caso dessa mesma natureza. “Não é do nosso interesse que essa prática acabe na Justiça, por isso estamos aqui conversando, para que possamos resolver tudo nessa mesa”, disse Raquel.

Ao falar sobre o prazo semestral para o cumprimento de metas, Raquel disse que não vem sendo respeitado.”Se vocês olharem com atenção os emails enviados sobre alterações nas metas, vão constatar que há mudanças semanais, quinzenais e mensais. As pessoas vão pra casa na sexta com a sensação de ter avançado em seu planejamento e quando chega na segunda, fica sabendo que mudou tudo e que parte do trabalho dela precisará ser refeito. A gente só escuta colega reclamando que não tem mais vida própria, que dorme e acorda pensando no que precisa fazer para atingir a meta. E isso está diretamente relacionado ao adoecimento mental, sem qualquer sombra de dúvidas”, ressalta a diretora da Fetrafi-RS.

Completando a lista de práticas bizarras, está a chamada pontuação negativa. Os relatos dos representantes dos trabalhadores, com base nas queixas que chegam à Fetrafi-RS e aos sindicatos locais federados, é de que o bancário ou a bancária que tenha atingido a pontuação máxima em um produto x, mas não obteve a pontuação mínima necessária no produto y, perde parte dos pontos ganhos no produto x. “Não há lógica nesse sistema. Se o bancário não atingiu a meta, ele deixa de ganhar, só isso. Ele não pode perder o que já foi ganho”, questionou Raquel Gil.

Em reunião prévia, da qual participou o diretor de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, os sindicalistas definiram que, embora houvesse muitos outros pontos a serem questionados, manteriam o foco nos três citados acima, por serem os que mais impactam negativamente na saúde do trabalhador e estão diretamente conectados com uma prática nefasta no ambiente de trabalho: o assédio moral.

Os três representantes do Banrisul falaram muito pouco, demonstraram surpresa diante das situações relatadas, e saíram da reunião com várias páginas de anotações e a tarefa de levantar dados técnicos para trazer na próxima reunião, agendada para o dia 31 de outubro. A fala comum deles foi de que a nova direção do banco tem uma genuína intenção de resolver os problemas que dizem respeito ao setor de recursos humanos, que afetam a saúde dos funcionários e geram passível trabalhista.

Dia de Luta
Na manhã desta terça-feira (17), o Comando Nacional dos Banrisulenses reuniu-se virtualmente para relatar o que foi tratado na mesa com o Banrisul e organizar ações que possam mobilizar a categoria nos próximos dias. Após duas horas e meia de debate definiu-se por:
1. Convidar os(as) banrisulenses para se vestirem de amarelo no dia 31 de outubro, definido como Dia de Luta. O amarelo é uma alusão à saúde mental e ao cartão amarelo como advertência;
2. Intensificar o chamado nas redes sociais para que os bancários em geral, mas nesse momento em especial os do Banrisul, participem da pesquisa “Avaliação dos Modelos de Gestão e das Patologias do Trabalho Bancário”, da Contraf-CUT.

Acesse AQUI a pesquisa

Durante as duas reuniões, várias falas chamaram a atenção para o fato das metas terem se tornado com o tempo cada vez mais individuais, um aspecto que potencializa o adoecimento na categoria. Diante disso, definiu-se também a luta para limitar o percentual de metas individuais, mantendo a maioria delas com o caráter coletivo.

Fonte: Maricélia Pinheiro / Verdeperto Comunicação e Fetrafi/RS

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