A porca e a Inês

A cada eleição renovamos as esperanças de uma vida melhor. Uma atuação política voltada para os interesses da comunidade.
A política está entranhada nas nossas veias farrapas – maragatas ou chimangas. A paixão partidária mexe com as nossas emoções. Tudo bem… mexia. As eleições do ano que vem – principalmente a de governador do Estado – trará temperos novos no panorama gaudério.
As últimas notícias protagonizadas pelas hostes petistas dão conta de uma inusitada e desconfortável aliança entre PMDB e PT. A bem da verdade, articulada pelos caciques de Brasília. Uma coligação desse porte seria algo como Honório Lemes e Flores da Cunha chimarreando tranquilamente e um capão de mato na pampa conversando abobrinhas numa primavera da década de 20. Ou um gaúcho fardado de Inter, dos pés à cabeça, ser ovacionado quando estiver no meio da Alma Castelhana. Eu não vejo grandes problemas nessa coligação. Alguém acredita em duende?
Se o palanque de Maria do Rosário – no ano passado – esteve desfalcado por conta de uma disputa interna do partido, imaginem um palanque com o PMDB na cabeça de chapa apoiado pelo PT. Acho que será a desconstituição do PT como partido transformador e depositário da esperança que, em outros tempos, venceu o medo. Quando o PT estiver no mesmo palanque do PMDB estará se igualando na trajetória. Cairá por terra, em definitivo, o PT dos sonhos juvenis de uma geração que votou num metalúrgico para presidente. Aí sim, teremos o pragmatismo em sua essência. Não haverá motivos para encontros, congressos ou prévias. Basta um encontro de meia dúzia de iluminados – em algum badalado restaurante – para decidir o destino do partido. Aliás, prática corrente em muitos partidos tradicionais. Os históricos militantes do PMDB fazem referência ao velho MDB e dentro em breve serão honoráveis petistas fazendo saudações ao velho PT.
Segundo notícias veiculadas na imprensa, o Planalto já enviou um recado para o PMDB gaúcho dizendo que tem simpatias pela candidatura de Germano Rigotto. Aí é que a porca torce o rabo. Quem será o vice do “companheiro” Rigotto? Tarso? Raul? Koutzii? Olívio?
Quem terá a cara-de-pau de ir para a TV explicar que não era bem assim quando o PT criticava as privatizações do governo Britto? Afinal de contas, o PT mandou, ou não, a Ford embora como afirmavam Mendes Ribeiro e Cia?
Se o calendário aprovado pelo Diretório Nacional do PT for mantido e só em fevereiro entrar na disputa, a porca torce o rabo hoje e no ano que vem a Inês é morta.
A propósito, PT e PMDB promoverão risotos para festejar Rigotto governador. Quem viver verá?
Athos Ronaldo Miralha da Cunha, bancário

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