Hora Extraordinária

Dia desses lendo em um dos chamados “jornais burgueses” uma entrevista com um jornalista gaúcho que hoje trabalha no exterior, mais precisamente nos democráticos Estados Unidos da América, para o maior império de comunicação brasileiro, duas coisas chamaram-me a atenção entre aquelas que ele relatava sobre sua vida diária no exterior com a família e como trabalhador. Descendente de alemães ele dizia que, como cidadão, uma das coisas que mais o tinham deixado desconfortável, vamos dizer assim, era o preconceito contra negros e latinos em geral. Sobre isso me pego pensando como tem tanta gente que arrisca sua vida, posses, convivência com a família para “fazer dinheiro na América”. Brasileiros, mexicanos, enfim, latino-americanos em geral vão em busca de um sonho fugaz arriscando serem deportados alguns, mortos outros, ou aqueles que conseguem chegar e ficar tornarem-se cidadãos de 2ª classe, apenas para ganhar em dólar. Nunca vou conseguir entender. Mas vai prá lá quem quer, portanto…

Agora, o que mais me chamou atenção na entrevista foi o repórter dizer: “jamais convide ou peça a um americano para trabalhar além do horário. Ele simplesmente diz que não e te manda embora”. E aí, pus-me a pensar na nossa realidade tupiniquim. Em primeiro lugar, existe um ditadinho por aí que diz que o trabalho dignifica o homem. Até acho que sim. Entretanto, os capitalistas brasileiros, por selvagens, principalmente os do ramo financeiro, acham que os trabalhadores têm que trabalhar oito, dez, doze horas por dia, e pior, sem a contrapartida em remuneração. Justificam ainda dizendo que, em nome da empregabilidade o trabalhador deveria sentir-se grato porque tem em prego e bastante serviço. É claro que ele está mentindo, tergiversando, enganando. Por quê? Quando ele obriga um trabalhador a cumprir hora-extra deixa de contratar outro. No caso de um bancário fazendo duas horas por dia são 10 por semana, 44 por mês. Três trabalhadores que façam duas horas por dia significa um posto de trabalho a menos. E o patrão bonzinho não terá os encargos sociais com mais um empregado. E o trabalhador vai chegar em casa estressado. E as doenças como LER/DORT vão se avolumando e a qualidade de vida vai se esfumaçando. E… tem gente que prefere fazer hora-extra para “engordar salário” e não lutar prá melhorar sua remuneração. Mas isso já é assunto para outro artigo. De qualquer forma, pensem nisso…

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