Lá vêm os vagabundos de novo…

Ser banqueiro pode até ser uma coisa boa, no sentido de se ter um monte de dinheiro, os seus clientes serem pessoas endividadas e que “comem na sua mão”.
No Brasil, ser banqueiro é uma coisa melhor ainda, explico: Enquanto os banqueiros do mundo inteiro amargaram prejuízos nos últimos tempos, os de cá ainda assim conseguiram obter lucros. Façamos justiça que os de lá amargaram os prejuízos por fruto de sua própria incompetência.
Na época do governo FHC os banqueiros, que eram os financiadores da campanha do FFHH (como diz o Veríssimo) eram tratados na palma da mão, com financiamentos como o do PROER, por exemplo, que deu cerca de 13 Bi para os banqueiros, porém graças á aqueles 13 Bi, agora o governo não precisou dar nem um pila pros banqueiros e os mesmos ainda deram lucros nos últimos semestres de crise mundial.
No mundo inteiro os banqueiros sugaram seus governos para que não quebrassem. Minha dúvida é se não seria o ideal deixa-los quebrar de vez, mas acontece que toda a economia estava quebrando junto com os famigerados empresários do dinheiro.
A imagem idealizada de um banqueiro é um homem gordo, com terno preto e um charuto na boca, é só olharmos as charges por aí e vemos sempre essa figura representando os banqueiros.
Se ser banqueiro é uma coisa boa, ser empregado de um banqueiro nem sempre é assim. Enquanto os bancos lucram bilhões a cada semestre, os bancários vivem em uma luta eterna para compartilharem de algumas migalhas do resultado de seus trabalhos em forma de salário.
Ser bancário é uma luta contra diversos fatores. O bancário é aquele que atende a população em geral, pessoas que diariamente têm necessidades e vêm em busca da satisfação dessas necessidades.
Justificar o preço das tarifas cobradas pelos seus patrões, as filas das quais também são vítimas, afinal de contas as filas são o resultado da falta de funcionários nas agências, também justificar os juros cobrados e os diversos problemas que acontecem inevitavelmente, desde problemas de sistemas inoperantes, até erros que acontecem pelos mais diferentes fatores. Justificar, porém que se necessita ganhar um salário justo é um problema maior, pois vivemos num país de miseráveis.
Dizer que se deseja uma participação nos lucros dos bancos, quando poucas classes de trabalhadores usufruem deste privilégio neste país já é uma coisa difícil de se justificar, dizer que se deseja outros direitos que em outros lugares do mundo são corriqueiros, mas que aqui não são, para algumas pessoas pode até parecer algum absurdo, aí em épocas de dissídios de bancários quando eventualmente se entra em greve, também temos as pessoas da população contra nós que nos dizem que somos vagabundos, que ganhamos um bom salário e que não queremos trabalhar.

Olha! Cansei de ver pessoas da população em geral nos chamarem de vagabundos, mas sei que nossa luta é justa, por isso creio que esse ano lá vem os “vagabundos” de novo. Fazer o quê?

Rejo Vaz Friedrich

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